Depressão e doença cardíaca são condições clínicas interrelacionadas

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A depressão e doença arterial coronariana (DAC) são condições clínicas muito comuns. A depressão é um transtorno do humor caracterizado por tristeza persistente (mais de duas semanas), falta de ânimo (anedonia), fadiga, irritabilidade, baixa autoestima, alterações do apetite e peso, insônia, entre outros sintomas.

A DAC caracteriza-se pela formação de placas de gordura na parede das artérias do coração (ateromas), sendo a principal causa do infarto do miocárdio, popularmente conhecido como ataque cardíaco.

O comprometimento da qualidade e expectativa de vida são características de ambas as doenças. Existem várias condições observadas em pacientes depressivos, as quais facilitam o desenvolvimento da DAC, e também, pioram a evolução clínica de pacientes com DAC conhecida.São elas:

-Adesão inferior a orientações médicas (uso de medicamentos e modificações no estilo de vida, como prática de exercícios, adoção de uma dieta mais adequada, perda de peso, cessação do tabagismo, entre outras);

-Maior ativação e agregação plaquetária, predispondo à formação de coágulos;

-Disfunção do revestimento interno dos vasos (endotélio), levando a um comprometimento de sua capacidade de dilatação, bem como, precipitando a formação de placas de ateromas;

-Disfunção autonômica (diminuição da variabilidade da frequência cardíaca).

A literatura médica recente tem mostrado que a depressão por si só está se tornando um fator de risco independente para complicações cardíacas, tanto na prevenção primária (pessoas sem doença cardíaca) como na prevenção secundária (pessoas com doença cardíaca conhecida). Como o diagnóstico de depressão em pacientes com doença cardíaca é difícil, devido às semelhanças dos sintomas, o profissional de saúde deve realizar uma avaliação cuidadosa para diferenciar os sinais clínicos de depressão daqueles relacionados com doenças cardíacas em geral.

Tratamentos bem sucedidos da depressão têm mostrado melhora na qualidade de vida dos pacientes e nos resultados cardiovasculares. No entanto, estudos clínicos maiores são necessários para apoiar essa inferência.

Fonte: Revista da SOCESP.

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