Subdiagnósticado, hipotireoidismo atinge mais de 14% dos idosos

tireoide

Pelo descuido acumulado na manutenção da saúde ao longo dos anos, para muitos, a chegada à terceira idade é sinônimo de problemas de saúde, apatia e cansaço. O que poucos sabem, porém, é que essas queixas podem não ser reflexo do processo de envelhecimento fisiológico, mas sim estar ligadas a uma doença: o hipotireoidismo.

Causada pela deficiência na produção do hormônio tiroxina, produzido pela glândula tireóide, o hipotireoidismo pode se apresentar de duas maneiras: na forma clínica ou subclínica.

 

O hipotireoidismo clínico, responsável por uma redução significante do metabolismo, pode causar fadiga, ressecamento da pele, ganho de peso, rouquidão e lentidão da fala. Este quadro, segundo estudos multicêntricos, atinge de 0,5% a 5% da população idosa e chega a 7% de incidência em pessoas com mais de 80 anos, com maior presença em mulheres. “Um dos maiores problemas do hipotireoidismo em idosos é a semelhança dos sintomas com as alterações do processo natural de envelhecimento. Por isso, é fundamental que os idosos, principalmente as mulheres, procurem seus médicos ao sentirem um desses sintomas”, explica a Dra. Nilza Scalissi, endocrinologista da Santa Casa (SP) e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Em sua forma subclínica, o hipotireoidismo é ainda mais presente: na faixa etária de 50 anos a doença se manifesta em 8% da população e em pessoas com mais de 60 anos, a incidência sobe para 14% a 20%. Os sintomas podem ser irrelevantes, como fadiga ou frio excessivo, por exemplo, ou até mesmo não existirem, mas se não for tratada, a doença pode progredir para o quadro clínico de hipotireoidismo.

Segundo a endocrinologista, o hipotireoidismo clínico pode trazer sérios problemas para a saúde do idoso, como anemia e insuficiência cardíaca e pode ser confundido com queixas freqüentes da faixa etária. “Não é possível prevenir o hipotireoidismo em nenhuma das fases da vida, mas o tratamento é 100% eficaz se o diagnóstico for feito corretamente”, alerta.

Tratamento

Doença mais comum da tireóide, a deficiência de hormônios ocasionado pelo hipotireoidismo é tratado durante toda a vida com a reposição hormonal com levotiroxina. A dose, segundo a endocrinologista, depende do peso e da idade do paciente e o tratamento correto devolve a vida normal ao paciente.

“O diagnóstico é muito simples e o tratamento é feito com o reposição hormornal com a levotiroxina sódica, semelhante à tiroxina produzida pela tireóide. A indústria nacional já disponibiliza medicamentos adaptados para o clima e eficientes para os brasileiros”, finaliza a especialista.

Fonte

Prof. Dra. Nilza Scalissi – professora livre-docente de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

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