Hiponatremia: o mal do baixo nível de sódio

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A hiponatremia é uma alteração metabólica caracterizada pela baixa concentração de sódio no sangue em relação ao volume de água no organismo. Ela ocorre em decorrência do desequilíbrio no complexo sistema fisioquímico, que regula a absorção e excreção de água e sódio no nosso corpo, e está associada ao processo de envelhecimento.

Alguns medicamentos e doenças, como tumores e insuficiências cardíaca, hepática e renal, porém, também podem desencadear ou piorar o problema. Confusão mental, propensão a quedas, convulsões, déficit de coordenação e alteração de comportamento, quadros comuns em idosos, podem estar relacionados com a doença.

Segundo a dra. Maysa Seabra Cendoroglo, médica geriatra do Einstein, uma pessoa saudável apresenta nível estável de sódio no plasma sanguíneo entre 135 a 145 mEq/L (miliequivalentes por litro). Abaixo desse limite, configura-se quadro de hiponatremia – detectável por meio de exame de sangue. Quanto mais baixo o nível de sódio e mais repentina e acelerada for a sua queda, mais intensos serão os sintomas, manifestados principalmente no sistema neurológico por conta das condições adversas instauradas no cérebro frente ao acúmulo de água.

“O nível de sódio no plasma sanguíneo costuma se manter estável enquanto o indivíduo está saudável ou com as suas doenças controladas. Mas à medida que a pessoa envelhece, pode ocorrer uma espécie de desgaste desse sistema de controle”, explica a dra. Maysa.

Disfunções que podem levar à hiponatremia

Em linhas gerais, o sistema está sujeito a disfunções de três maneiras. Uma delas está relacionada ao déficit de sensibilidade dos receptores presentes no tórax, rins e vasos sanguíneos responsáveis pela detecção da queda de sódio no plasma sanguíneo. Quando essa alteração na sensibilidade ocorre, há menor precisão no estímulo da glândula heuro-hipófise para produzir o hormônio antidiurético, substância que ajuda a regular a relação do nível de água e sódio no organismo. Com isso, há uma produção excessiva desse hormônio. Quanto maior sua presença, maior é a retenção de água no organismo e, consequentemente, maior a diluição do sódio. Importante destacar ainda que os idosos têm menor quantidade de vasopressinase, enzima que corta a ação do hormônio antidiurético.

Outra disfunção muito comum entre os idosos, principalmente aqueles com insuficiência cardíaca, é a elevação da presença do hormônio peptídeo natriurético atrial, produzido pelas células musculares do coração. Quando mais hormônio desse tipo, maior o índice de excreção de sódio.

Os quadros de hiponatremia podem estar relacionados ainda à insuficiência do sistema endocrinológico renal conhecido como renina-angiotensina-aldosterona, que atua na reabsorção de parte do sódio naturalmente excretado pelo organismo, impedindo que ele seja eliminado pela urina. Deficiente, esse sistema não contribui para garantir a reposição do sódio.

Muitos idosos, mesmo com disfunções desse tipo, conseguem reestabelecer o equilíbrio do sódio. São organismos menos eficientes, mas que não desenvolvem necessariamente a hiponatremia. O problema ocorre em disfunções metabólicas mais agudas, principalmente pela incapacidade do organismo jogar fora a quantidade certa de água para atingir o equilíbrio com o sódio, pela ação de tumores que podem estimular a produção de hormônios antidiuréticos, por patologias que contribuem para a retenção de água, como as insuficiências cardíaca, hepática e renal e pelos efeitos do uso de determinados medicamentos. Alguns diuréticos, anticonvulsivantes, antidiabéticos, quimioterápicos e antidepressivos podem favorecer a hiponametria, seja propiciando a retenção de líquido (o que reduz a concentração de sódio), seja estimulando a eliminação indevida de sódio. Importante destacar que, também aqui, a automedicação pode agir como uma vilã.

Caminhos de tratamento

Como tratar a hiponatremia? Desafiados pela complexidade dessa disfunção metabólica, os médicos precisam, antes de tudo, descobrir quais são as possíveis causas que levaram a essa alteração.

As hiponatremias mais severas, que em casos extremos podem levar o paciente ao coma em razão de condições neurológicas adversas, tendem a ter ligação com outras doenças, servindo inclusive como marcadores de gravidade das insuficiências cardíaca e hepática. Já as hiponatremias mais leves, quase sempre assintomáticas, geralmente estão relacionadas com questões metabólicas isoladas e podem ser apenas acompanhadas. No caso de hiponatremia associada ao uso de medicamentos, é necessária a utilização de drogas auxiliares para impedir o desenvolvimento dessa alteração metabólica ou a interrupção do uso da substância que favorece a disfunção.

O ideal, evidentemente, é que sejam suprimidas as causas que determinaram a hiponametria. Mas caso isso não seja possível, a medicina oferece recursos para elevar o equilíbrio metabólico a níveis satisfatórios. Raramente a solução é a simples reposição de sódio. Em geral, o tratamento envolve o controle do índice de água livre (sem sais) no organismo por meio do uso de diuréticos específicos e, em alguns casos, drogas que bloqueiam a ação do hormônio antidiurético. Importante é saber que hiponatremia não se trata com soluções caseiras ou aumentando o sódio (sal) na dieta. Qualquer que seja a abordagem, a orientação e o acompanhamento médico rigoroso são indispensáveis.

Fonte: Dra. Maysa Seabra Cendoroglo, médica geriatra do Einstein – CRM:48203

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