Comunicação e Alzheimer

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Podemos melhorar bastante a nossa comunicação com a pessoa que cuidamos. Isso me foi informado logo no início que deveria mudar a minha maneira de falar com ela, usando sempre frases curtas e palavras simples. Quando percebi a dificuldade dela entender o que dizia, comecei então a utilizar esse método e funcionou. Se usamos uma frase muito longa, quando chegarmos ao fim eles já se perderam no meio da frase. E sendo objetivos e simples não cansamos e somos entendidos.

“Diálogo

Algumas regras gerais devem reger o processo de comunicação. As frases devem ser expressas sempre no presente do indicativo ou no passado e futuro simples. As construções gramaticais complicadas, apesar de elegantes, só servem para confundir o paciente.
“Vamos almoçar”, “Vamos ao banco”, “Vamos ao médico”, “Você já jantou?” e tantas outras são mais adequadas do que “Estas maçãs foram compradas por nós, ontem pela manhã”, essa frase poderia ser mais bem entendida se fosse dita assim: “Ontem nós compramos estas maçãs”. Observações como “Você está repetindo isso pela décima vez” ou “Você mudou novamente de assunto” são inadequadas e devem ser evitadas.
A transformação da resposta em um evento temporal pode funcionar. Em vez de dizer que é meio-dia, é melhor que se diga “É hora do almoço”, “É hora de almoçar”, ou outra adaptação coerente com a situação.
A simplificação de perguntas, respostas, assertivas e negativas, enfim, do diálogo, é um recurso importante de comunicação e apresenta resultados altamente positivos. No caso de pacientes demenciados, simplificar significa omitir informações adicionais irrelevantes para o entendimento do assunto tratado.
É irrelevante dizer ao paciente ansioso pela visita do filho o seguinte: “Seu filho ligou do interior dizendo que não poderá estar aqui hoje porque terá que comparecer a um casamento em outro estado, ao qual não pode faltar, pois ele foi escolhido para ser um dos padrinhos e, portanto, só virá na próxima semana”. A frase “Seu filho não virá hoje” pode ser suficiente.
À medida que o paciente demonstre interesse por informações adicionais, passo a passo, poderão ser introduzidos novos detalhes. Geralmente, o paciente se contenta com a informação básica e a ansiedade é superada.
A menção de uma terceira pessoa como por exemplo em “Ontem, eu e a dona Amélia fomos visitar o senhor Pedro, primo da tia Gertrudes” só serve para confundir o paciente. As frases curtas com o mínimo de personagens, objetos ou fatos são as construções mais adequadas.
À medida que nos certificamos de que o paciente entende, podem-se incluir, progressivamente, novos lugares, pessoas etc.
Quando formulamos perguntas, devemos empregar a linguagem usual e já incorporada ao cotidiano do interlocutor.
É importante ser direto, e as perguntas devem ser do tipo que possam receber um sim ou um não como resposta. Uma pergunta como “Você quer maçã ou mamão?” requer uma reflexão e necessita de uma decisão, tarefa árdua para pacientes demenciados. A pergunta “Você quer uma maçã?” pode ser respondida com um simples sim ou não, e, dessa maneira, a segunda opção não terá que ser utilizada.”
Fonte: alzheimermed.com.br

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