Carta para um EU desconhecido

CartaNunca escrevi uma carta antes para alguém tão especial quanto a quem escrevo hoje – e espero que você possa me ajudar. Espero que você possa me ajudar a escolher as palavras certas, e amarrá-las nas linhas invisíveis do texto mais bonito que pudermos compor juntos. Espero que na hora de reler cada linha escrita, não sejam as lágrimas que nos molhem o rosto, mas que sejam os sorrisos que iluminem nossos olhos.
Tudo porque nessas cartas de papel e caneta, de lápis e borracha, nessas cartas de amor incondicional ou de procurar infinitas por algo perdido entre mãos, momentos e pensamentos, me perdi entre as palavras que gostaria de dizer e os sentimentos que preferi esconder. Deixei passar as imagens que gostaria de escrever fielmente, as sensações que eu gostaria de escrever… Enfim… Nessas cartas, deixei pouco de mim e muito, mas muito mais espaços incompletos.
Espero que quando terminemos nossas cartas, estejamos felizes com os nossos textos, e que eles possam servir de memória para aqueles que os lerem, pois…
Nunca escrevi uma carta que pudesse falar de mim abertamente, de minhas andanças por vielas inseguras da vida, ou por largos caminhos floridos e coloridos das primaveras que comemorei. E por nunca ter escrito essas verdades, nunca completei os diálogos que me faltavam – e espero que você esteja lá para compartilhar comigo as frases que precisarei para continuar os momentos que ficaram para trás.

Quero escrever não só sobre minhas memórias, mas os meus desejos como um todo – que não por conta do tempo deixaram de existir; permanecem gravados em cada parte do que chamam de “mente”. Eu prefiro dizer que minhas memórias estão gravadas no meu coração – e no papel que agora escrevo, mas nunca conseguirão ser a mesma coisa aos olhos de outros.
Quero escrever cartas para você, que compartilha dos meus ideias, planos, sonhos. Que vive minhas saudades, minhas angústias e anseios. Quero escrever para você que é um Eu desconhecido para mim mesmo, que me deu a mão até aqui, que caminhou comigo por estas letras, palavras, acentos, vírgulas e pontos finais que a vida nos deu.
Vamos falar sobre nossas verdades em linhas tão retas que se percam da nossa vista quando alcançarem o horizonte e a alvorada de um novo amanhecer: de novas primaveras, onde possamos escrever cartas para todos os nossos “Eus” – os tristes, os felizes, os apaixonados, os angustiados, os solitários -, todos aqueles deixados por aí, pelo meio do caminho da estrada interminável que é a nossa…

Fonte: Portal Terceira Idade.

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