Angioplastia Coronária

perguntas_e_respostas

Que tipo de procedimento é a angioplastia? Pode ser considerado simples exame? Pode ser considerado um procedimento cirúrgico mais simples?

Re: A angioplastia coronária é um procedimento realizado para a desobstrução das artérias coronárias (artérias do coração), evitando que o paciente sofra de dor no peito (angina pectoris) e até um infarto. Ela foi realizada pela primeira vez no mundo há 22 anos e utiliza cateteres que vão até o coração, levando balões de desobstrução até as coronárias. Podem ser usados também stents (próteses metálicas, aterótomos, etc). Este procedimento é terapêutico e, portanto, não é um exame. O exame diagnóstico chama-se cineangiocoronariografia, conhecido como cateterismo cardíaco. Na angioplastia, geralmente se usa apenas anestesia local mantendo-se o paciente acordado. Tem duração de aproximadamente 1 hora e não existem grandes cortes ou suturas. Assim, esta é uma intervenção percutânea, mais do que uma pequena cirurgia.


O que é cineangiocoronariografia?

Re: A cineangiocoronariografia é um exame invasivo, popularmente conhecido como cateterismo cardíaco, que tem por objetivo diagnosticar doenças do coração e de suas artérias coronárias. Mais comumente, é usado para identificar obstruções nas artérias coronárias, que podem determinar o surgimanto de angina e infarto. Pode ser realizado pela via braquial (braço) ou femoral (virilha), com a introdução de cateteres que vão até o coração. As imagens são obtidas com o uso de contraste iodado e de raios-X. O exame é praticamente indolor e os riscos são mínimos, ainda que existam, sendo mais elevados para pacientes com doenças mais graves. Estamos à disposição para informações adicionais, se julgar necessário.


O que é stent coronário?

Re: O stent coronário e uma prótese metálica endovascular fabricada, geralmente, de aço inoxidável. Em linhas gerais, este dispositivo permite a obtenção de melhores resultados imediatos e tardios, quando comparados à   angioplastia convencional. O stent coronário foi o primeiro dispositivo que, após aproximadamente 20 anos do surgimento da angioplastia, mostrou redução dos índices de reestenose, ainda que em tipos selecionados de lesão. Ele impede que ocorram a retração elástica da parede do vaso e seu remodelamento negativo (encolhimento cicatricial), possibilitando a manutenção de maior lumen vascular a longo prazo. Suas indicações se expandem de forma exponencial, embora ainda exista lugar para a angioplastia convencional, principalmente em lesões longas e em vasos de pequeno calibre.


Antes de qualquer pergunta, tenho que parabenizá-los por esta iniciativa.
Meu pai (73 anos) irá se submeter a uma angioplastia coronariana (…) Pergunto:
1) A anestesia é local?
2) Pode o cateterismo e a posterior angioplastia serem feitos pela coxa (femural)?
3) Levam-se pontos?
4) Quais os cuidados pós procedimento?
5) Pode-se ter 42% de bloqueio na artéria e não enfartar??
6) Os sintomas (dor no ombro, nas costas e axilas etc, desaparecem logo após o procedimento?

Re: O cateterismo cardíaco e a angioplastia coronária são realizados  com anestesia  local. Geralmente são feitos por punção da artéria femoral, não necessitando sutura ao final da intervenção. Quando o procedimento é bem indicado e realizado com sucesso, os sintomas de dor no peito, etc, costumam desaparecer.
Os cuidados após o procedimento incluem um rigoroso seguimento com seu
cardiologista principalmente nos 6 primeiros meses após o procedimento, período no qual existe chance (10-40%) de recidiva da obstrução. Neste caso, é importante o seguimento médico para a pronta detecção e correção do problema, chamado de reestenose. Cabe destacar que, para nós, cardiologistas, lesões obstrutivas só são consideradas funcionalmente importantes quando superam 70% de estenose. Assim, é perfeitamente possível viver com lesões menos importantes sem infarto ou manifestações impostantes da doença. Entretanto, neste caso é fundamental o controle dos fatores de risco para evitar a progressão da doença.


Há cinco anos fui submetido a uma angioplastia para reduzir uma obstrução de 90% no apex da coronária descendente anterior, passando a obstrução para 50%. As demais artérias estavam limpas. Desde então faço exames cintilográficos periódicos com resultados normais, assim como o ECG, mas ultimamente venho sentindo uma dor esporádica e fraca, semelhante a uma nevralgia muscular, no lado esquerdo do tórax, mas pulso, respiração e batimentos estão normais, ando 4km diariamente e nada sinto. Pergunto: devo fazer uma prova de esforço? a obstrução pode ter se agravado? como saber sem cateterismo?

Re: Você deve continuar fazendo exames cintilográficos periódicos. Caso estes exames ou até mesmo o teste de esforço convencional continuem mostrando resultados normais, não existe motivo para preocupação ou necessidade de realização de cateterismo cardíaco. Após a angioplastia, quando existe recidiva da obstrução, esta ocorre, geralmente, nos seis primeiros meses. Como sua angioplastia foi há 5 anos, é difícil pensar em reestenose. Considero fundamental o controle dos fatores de risco, como fumo, diabete, hipertensão e hipercolesterolemia, para que não apareçam obstruções em outros locais. Em relação ao cateterismo cardíaco, este é o único exame que pode dizez, com certeza, o estado anatômico de suas coronárias. Entretanto, como dito anteriormente, não parece existir qualquer motivo, a não ser pela curiosidade, para a realização deste exame nas suas condições atuais. Continue caminhando e realizando atividade física com a supervisão de um cardiologista.


Considerando-se as evidências científicas no que tange a melhores resultados imediatos e menores taxas de reestenoses nas angioplastias com o uso de stents, não estariam eles (stents) indicados em todos os casos que houvessem indicação do procedimento?

Re: Nos últimos anos, o implante de stents intracoronários tem revolucionado a prática da cardiologia intervencionista. Inicialmente, esta técnica era aplicada apenas em situações de emergência, onde existia oclusão ou iminência de oclusão coronária. Após a demonstração, em importantes estudos randomizados que o implante de stents coronários poderia reduzir significativamente a incidência de reestenose, o uso destas endopróteses metálicas cresceu de forma exponencial, chegando a atingir aproximadamente 60% de todas as quase 1.000.000 de intervenções coronárias percutâneas realizadas anualmente no mundo. Entretanto, sabe-se existir uma enorme disparidade entre a prática clínica atual e as reais indicações de implante de stent coronário baseadas em resultados de estudos randomizados, caracterizando uma verdadeira “stentomania”. Os gratificantes resultados angiográficos imediatos obtidos com o implante destas endopróteses metálicas, certamente contribuem para a exacerbação das indicações. Nesse contexto, é fundamental destacar que, atualmente, apenas cinco condições possuem sólida indicação para o implante de stent coronário:
1. Tratamento de oclusão ou iminência de oclusão coronária durante a angioplastia.
2. Redução da incidência de reestenose em lesões primárias, focais (< 15 mm de extensão) e em vasos com diâmetro maior ou igual a 3 mm.
3. Lesões focais em pontes de veia safena.
4. Tratamento de oclusões coronárias crônicas.
5. Tratamento primário do infarto agudo do miocárdio.

Além destas indicações já consagradas, outras três condições têm importantes estudos mostrando que pode haver benefício com o implante de stent coronário. São elas:
1. Tratamento de lesões reestenóticas.
2. Tratamento de lesões ostiais.
3. Tratamento de lesões em bifurcações.

Indicações diferentes destas anteriormente citadas, baseiam-se, na atualidade, na experiência pessoal de cada operador e devem-se à extrapolação, até certo ponto entusiástica, dos resultados de estudos randomizados para outros tipos de lesões. Cabe ressaltar, entretanto, que o constante avanço observado nesta área e os inúmeros estudos em andamento devem fornecer, no futuro próximo, subsídios para apoiar as ampliações das indicações do implante dos stents coronários.


Lesão proximal descendente anterior. Angioplastia, angioplastia com stent ou cirurgia?

Em geral, o implante de stent coronário tem resultados superiores a angioplastia convencional no tratamento de lesões proximais da descendente anterior, por produzir melhores resultados imediatos e tardios, reduzindo a chance de recidiva da estenose. A cirurgia, principalmente com a mamária, tem também excelentes resultados. Entre o stent e a mamária, ambos tem resultados comparáveis, com vantagens e desvantagens inerentes a cada método. A cirurgia e um procedimento mais agressivo inicialmente, porém permite menor chance de recorrência de isquemia miocárdica. O implante de stent e um procedimento muito menos traumático, com internação curta e retorno precoce as atividades normais, mas com maior chance (10-20%) de necessitar de reintervenção (nova angioplastia). Estes dados precisam ser comentados com o paciente para que ele possa participar da indicação. Deve ser ressaltado, entretanto, que as características de cada lesão obstrutiva nos fornecem dados que ajudam a decidir por um ou outro tratamento, sendo fundamental a análise individual de cada caso por um especialista em hemodinâmica e por um cirurgião cardíaco. Se o caso for bom para os dois tipos de tratamento, talvez uma boa estratégia fosse tentar a angioplastia com stent e, caso existam recidivas, partir para a cirurgia.


Gostaria de saber qual % de reestenose pós angioplastia coronária direita com stent após 12 meses do implante com sucesso e tratamento medicamentoso e dietético controlado por médico.

Re: A probabilidade de re-estenose após 12 meses é quase zero.


Há uma semana sofri um IAM e passei por um processo de angioplastia. Sou diabético há 21 anos e tenho um quadro de dislipidemia (meus triglicérides chegaram a 13100). Em quanto tempo poderei voltar ao trabalho? Quais os procedimentos que devo tomar para uma recuperação mais imediata?

Re: Em relação ao retorno ao trabalho deveríamos saber a extensão do seu infarto e o esforço dispendido no seu trabalho. Em média aguardamos cerca de 30- 45 dias. Creio que recomendações você deve controlar seus níveis de glicose e seu triglicérides para evitar outras complicações.


Sou engenheiro e tenho 28 anos. Meu pai, há três semanas teve um IAM e foi submetido às pressas a uma angioplastia com colocação de stent…. Sabendo do risco de que seja necessário novo procedimento em um lapso de tempo relativamente pequeno (6 meses) peço a gentileza de esclarecer-me a seguinte dúvida: como que a família deve proceder no sentido de ficar atenta aos possíveis sintomas de recidiva? Pode ocorrer um infarto fatal nessa situação uma vez que a artéria desobstruída foi a anterior esquerda (perdoe-me se não é bem este o nome); trata-se da artéria que irriga a parte anterior esquerda do coração (circulação sistêmica)… O que diferencia a indicação de uma angioplastia e uma cirurgia cardíaca?

Re: A recidiva da estenose coronária é, por nós médicos, chamada de reestenose, que ocorre em média em torno de 20% dos procedimentos e quase sempre nos 6 primeiros meses após a angioplastia (c/ stent). A angina pectoris ou dor no peito característica da insuficiência coronária costuma indicar que houve reestenose. Dificilmente um IAM ocorre como primeira manifestação clínica da reestenose. Caso não exista angina, alguns exames não invasivos, como o teste de esforço e a cintilografia miocárdica, podem indicar se ocorreu ou não a reestenose, baseados na identificação de isquemia miocárdica. Alguns serviços universitários indicam até a realização de um cateterismo de controle aos 6 meses, seguindo protocolos de pesquisa clínica, mas geralmente isto só é necessário quando existe suspeita clínica da recorrência da lesão obstrutiva.Mantenha um acompanhamento clínico rigoroso, principalmente nestes 6 primeiros meses, para que qualquer alteração possa ser detectada precocemente.
No infarto agudo do miocárdio, a chamada angioplastia primária é procedimento consagrado e apenas em casos excepcionais existe indicação para cirurgia de revascularização miocárdica (“ponte de safena”)de urgência. Seguramente, no caso descrito, esta foi a melhor opção para desobstruir a coronária descendente anterior durante o infarto.

Fonte: Portal Cardio – Sociedade Brasileira de Cardiologia.

You can leave a response, or trackback from your own site.

Leave a Reply